sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Medo

A vida sob o medo da gripe suína está cada vez mais bizarra. Espirrar virou uma gafe. As aglomerações têm um clima funéreo, comparável aos dias da Guerra Fria e seu duck and cover. Uma máscara cirúrgica é algo quase tão normal quanto uma bolsa, uma gravata ou um lenço palestino. Coisas corriqueiras, como aperto de mão e beijinhos no rosto, estão banidos. Penso na legião de menininhas que, temerosas pela saúde, estão ainda mais seletivas na hora de escolher um, digamos, parceiro efêmero numa balada...
Por isso, minha maior diversão atualmente é agir como uma pessoa normal vivendo em uma época normal: faço questão de dar as mãos para os rapazes e um beijinho nas moças; não exito em pedir um gole de alguma bebida ou uma mordida de um lanche.
O pânico no rosto das pessoas, especialmente aquelas polidas demais para dizer um não, sempre compensa o risco da gripe.

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